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Doença crônica? Deus me livre! (cont.)

No último post escrevi sobre uma das doenças que está se tornando comum ao brasileiro: a hipertensão. Hoje escrevo sobre o diabetes, doença que preocupa muitas pessoas que dizem “nunca mais vou poder comer doces”. Entenda a relação desta doença com o metabolismo corporal e saiba as conseqüências que pode trazer ao seu corpo se não controlada.

DIABETES
Diabetes Mellitus (mellitus significa mel) compreende um grupo heterogêneo de causas e manifestações clínicas, tendo como denominador comum o aumento de glicose no sangue, decorrente na maioria das vezes da produção diminuída ou alterada de insulina pelo pâncreas, ocasionando modificações no metabolismo de proteínas, de gorduras, de sais minerais e principalmente glicose.
Existem basicamente duas formas da doença: diabetes insulino-dependente, ou tipo 1, e o diabetes não insulino-dependente, ou tipo 2. O diabetes tipo 1 é caracterizado por produção de insulina muito abaixo do normal ou totalmente ausente, devido a uma destruição imunológica das células B das ilhotas de Langerhans, no pâncreas. Ocorre principalmente em crianças e jovens, embora possa desenvolver-se em qualquer idade.
O diabetes tipo 2 aparece principalmente em adultos, sua prevalência tende a aumentar com o avançar da idade e se agrava com o aumento de peso e gordura corporal (cerca de 80% dos indivíduos com diabetes tipo 2 são obesos ou estão acima do peso). Acredita-se que no diabetes tipo 2, uma desordem metabólica primária resulte na incapacidade dos tecidos em responder à insulina de maneira satisfatória, caracterizando a chamada resistência periférica à insulina, elevando a secreção e como conseqüência, a quantidade de insulina circulante. Com a evolução da doença, as células B entram em exaustão e diminuem sua capacidade de secretar insulina.
Há situações que, por atuarem de alguma forma na produção ou na ação da insulina, favorecem, naqueles já predispostos, o aparecimento do diabetes tipo 2: obesidade; infecções; gravidez; cirurgias; traumas emocionais; stress; envelhecimento; uso de medicamentos diabetogênicos em doses altas e por tempo prolongado: cortisona e derivados, alguns diuréticos, alguns beta-bloquedores, estrógenos.
Sintomas:
Os principais sintomas do diabetes são: excesso de glicose na urina (glicosúria); excesso de formação de urina (poliúria); sede excessiva (polidpisia); fome excessiva (polifagia); fadiga; cansaço geral; perda de massa corporal e infecções recorrentes. A hiperglicemia persistente pode causar sonolência, cãibras, visão turva, entre outras alterações.
Conseqüências do diabetes não controlado:
Por falta da insulina ou resistência a ela, a glicose no sangue aumenta, mas diminui dentro das células. Com a falta de glicose na célula o fornecimento de energia deve continuar e o corpo inicia o consumo de proteínas e gorduras para suprir esta necessidade. O consumo de proteínas ocasiona fraqueza muscular. A contínua e progressiva degradação de gorduras provoca o aparecimento do quadro clínico denominado “cetoacidose diabética”, principalmente em crianças e jovens, se este quadro não for controlado pode levar ao coma.
O excesso de glicose sanguínea pode também provocar catarata, cegueira, infarto, AVC, gangrena causada pela diminuição da circulação sanguínea no pé e na perna, impotência sexual, doenças pulmonares e circulatórias, insuficiência renal, hipertensão arterial e infecções recorrentes.
Quais os tratamentos:
O tratamento do diabético baseia-se na aplicação adequada dos chamados quatro pilares fundamentais para seu tratamento e controle: educação, administração exógena de hipoglicemiantes orais ou insulina, dieta e exercícios físicos.
Exercícios físicos x diabetes:
A grande variedade das respostas individuais ao exercício físico elimina a possibilidade de se adotar uma conduta única no desenvolvimento de um programa de condicionamento físico para diabéticos, necessitando dessa forma, avaliar os comportamentos metabólico, respiratório, e cardiovascular do indivíduo, e a partir daí, fazer uma prescrição individualizada da atividade física.
Além dos fatores do próprio exercício e do nível de condição física do indivíduo, o comportamento metabólico ao exercício em diabéticos do tipo 1 depende também do estado de controle do diabetes, da dose, do tipo e do local de aplicação da insulina e da ingestão de carboidratos no período que antecede o exercício. Observa-se que o treinamento físico no indivíduo diabético insulino-dependente, clinicamente controlado e sem complicações associadas à doença, promove adaptações metabólicas e cardiovasculares semelhantes àquelas verificadas no indivíduo normal e que o grande benefício do exercício físico crônico está no seu efeito sobre o metabolismo da glicose.
Os diabéticos do tipo 1 não deverão realizar exercícios físicos com glicemias superiores a 250mg% e na presença de cetonúria; evitar exercícios durante o período máximo de ação da insulina e durante a noite, pois há o risco de hipoglicemia; evitar atividades esporádicas e competitivas, pois o acerto da dose de insulina e dos alimentos torna-se mais difícil e a ocorrência de hipoglicemia imprevisível.
As recomendações de exercícios para o diabéticos do tipo 2 são atividades aeróbias e treinamento de resistência com grande volume e baixa intensidade (10 a 15 repetições, com 40 a 50% da repetição máxima). Freqüência de cinco a sete vezes por semana totalizando pelo menos 30 minutos de atividade moderada, com relação aeróbio/força em torno de 3:1.
Durante muitos anos encontrou-se uma forte associação entre diabetes tipo 2 e estilo de vida sedentário, porém somente na última década as pesquisas mostraram os reais benefícios de um programa regular de exercícios. Fisiologicamente, o treinamento físico proporciona adaptações metabólicas, neuroendócrinas e cardiovasculares que contribuem de maneira significativa para o bem-estar. Exercícios aeróbicos aumentam o número e a proporção do GLUT4 (um mediador do transporte da glicose), o que aumenta o transporte da glicose e melhora a tolerância ao açúcar, a ação periférica da insulina e reduz a resistência ao hormônio, contribuindo assim para o controle e a prevenção do diabetes. O músculo treinado pode aumentar a captação de glicose de 7 a 20 vezes!
É bom lembrar que o planejamento e o acompanhamento da atividade física do diabético – e do equilíbrio do esforço, dieta e dose de hipoglicemiantes ou insulina – devem ser realizados pelo médico, junto com profissionais de educação física, nutricionistas, entre outros.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
COSTA, A. A.; NETO, J. S. A. Manual de diabetes: alimentação, medicamentos, exercícios. 2ed. São Paulo: Sarvier, 1994.
TIRAPEGUI, J. Nutrição, metabolismo e suplementação na atividade física. São Paulo: Editora Atheneu, 2005.



Jaqueline Alves Nieto
CREF: 090794-G/SP

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